Livre de royalties x domínio público: qual a diferença
"Música royalty-free" é uma das expressões mais mal compreendidas da produção de conteúdo. Muita gente lê "livre de royalties" e entende "sem direitos autorais". Não é isso. Já "domínio público" é outra situação, bem diferente. Vamos organizar os conceitos.
Livre de royalties (royalty-free)
Royalties são pagamentos periódicos ao titular, em geral proporcionais ao uso: cada execução, cada venda, cada visualização. Uma licença "royalty-free" é aquela em que você paga uma vez, ou cumpre condições específicas, e depois pode usar a obra sem pagamentos adicionais por uso.
Mas isso não significa que a obra deixou de ter dono. O titular mantém os direitos autorais e define as regras: onde pode usar, por quanto tempo, se é para fins comerciais, se precisa dar crédito, se pode mexer na faixa. Alguns bancos de música permitem uso em um projeto apenas; outros, em vários. Há licenças que proíbem revender a faixa isoladamente.
Exemplo: você compra a licença de uma trilha instrumental para seu canal. Pode usá-la em todos os seus vídeos, conforme o contrato, sem pagar a cada visualização. Mas não pode registrá-la como sua nem distribuí-la como faixa avulsa.
Domínio público
Uma obra entra em domínio público quando os direitos patrimoniais acabam, normalmente pelo término do prazo de proteção (no Brasil, 70 anos após a morte do autor, contados a partir de 1º de janeiro do ano seguinte) ou porque o autor a destinou ao domínio público de forma expressa. A partir daí, qualquer pessoa pode usar, copiar, adaptar e distribuir, inclusive comercialmente, sem pedir permissão nem pagar.
Duas ressalvas:
- Direitos morais: em muitos países, como no Brasil, a autoria continua devendo ser reconhecida e a integridade da obra respeitada.
- Camadas diferentes: uma composição antiga pode estar em domínio público, mas uma gravação recente dela (interpretação, produção) tem seus próprios direitos. Uma sonata de Beethoven é de domínio público; a gravação de uma orquestra de 2015 não é.
Creative Commons: uma terceira categoria
Creative Commons não é nenhuma das duas coisas: é uma família de licenças em que o autor mantém os direitos, mas autoriza certos usos previamente. A CC0 é a que mais se aproxima do domínio público, pois o autor abre mão do máximo possível dos direitos.
Comparação
| Royalty-free | Domínio público | Creative Commons | |
|---|---|---|---|
| Há titular de direitos | Sim | Não (patrimoniais) | Sim |
| Pagamento | Em geral sim, uma vez | Não | Normalmente não |
| Condições | As do contrato | Poucas ou nenhuma | As da licença |
| Crédito | Depende | Boa prática | Muitas vezes obrigatório |
Mitos frequentes
- "Royalty-free é de graça." Frequentemente é pago uma vez.
- "Se está em um site de música livre, posso usar em qualquer lugar." Leia a licença daquele site.
- "Tudo antigo é domínio público." Depende do autor, da obra e do país.
- "Domínio público não exige nada." A atribuição é recomendada, e os direitos morais continuam.
Como verificar
- Leia a licença na página de origem.
- Guarde uma cópia do contrato ou do recibo.
- Para domínio público, procure a data de falecimento do autor e se a gravação é separada da composição.
- Em dúvida, escreva ao titular ou consulte um advogado. Este texto é informativo e não constitui aconselhamento jurídico.
E o conversor?
O conversor é para conteúdo próprio, Creative Commons ou domínio público, em vídeos de até 15 minutos e com 10 conversões por hora por IP. Música "royalty-free" comprada em um banco só deve ser baixada de outras fontes se a licença permitir. Ao aceitar os termos de uso, você declara ter os direitos necessários.
Resumo
Royalty-free é um tipo de contrato; domínio público é a ausência de direitos patrimoniais; Creative Commons é um conjunto de licenças abertas. Saber a diferença ajuda a escolher bem e a evitar problemas.
Nota: este artigo não é aconselhamento jurídico. Use a ferramenta apenas com conteúdo seu ou vídeos Creative Commons / livres de direitos e confirme que tem os direitos necessários sobre o que baixar.